Em último dia de visita, presidente da República conhece projeto de criação de beijupirá em tanque rede pioneiro no país
Rosália Rangel // Diario
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O último dia da visita do presidente Lula (PT) ao estado foi dedicado ao projeto Fazenda Marinha Beijupirá, uma iniciativa pioneira no cultivo de peixe no país. Ontem, Lula conheceu de perto um dos tanques redes instalados em alto mar pela empresa Aqualider para reprodução dos beijupirás. O presidente, no entanto, não precisou se deslocar até a área da fazenda, localizada a 11 quilômetros da costa, na praia de Boa Viagem. Os técnicos providenciaram a instalação de um tanque provisório no molhe do Porto do Recife. Para conhecer o projeto e alimentar os peixes, o presidente percorreu um pequeno percurso (cerca de 12 minutos) numa lancha da Marinha brasileira.
"Não é possível que Chile ou Peru pesque muito mais do que nós"
Altemir Gregolin - ministro
Antes de seguir para o mar, Lula ouviu explicações do projeto e assistiu a um filme, de pouco mais de três minutos, sobre a criação até o armazenamento do pescado.
Os tanques redes da Fazenda Marinha Beijupirá estão instaladas em águas pertencentes à União. A concessão para uso de uma áreatotal de 169 hectares (1,69 quilômetros quadros) foi assinada em 2008. Pelo uso, a empresa pagará a União uma taxa de R$ 60 mil/ano.
De acordo com Manuel Tavares, sócio-diretor da Agualider, a empresa irá investir R$ 10 milhões de recursos próprios no projeto. Ele adiantou que nesta primeira fase do programa, com a implantação de quatro tanques redes, 15 empregos já estão sendo gerados. A previsão é de que este número chegue a 100 com a instalação dos outros 42 tanques.
Segundo ele, a produção será de 10 mil toneladas/ano de beijupirá. "Este volume é quase 10 vezes maior que todo o volume da espécie que é pescado anualmente ao longo da costa brasileira e duas vezes mais que o maior produtor mundial dessa espécie em cativeiro, que é Taiwan", frisou. Por ser uma espécie considerada nobre, de carne branca semitransparente e filé alto, o beijupirá é bastante apreciado em restaurantes de primeira linha e na culinária oriental. A meta da fazenda com a exportação do produto é de alcançar um faturamento de aproximadamente R$ 100 milhões/ano, num prazo de cinco anos.
Bem humorado, o presidente chegou ao Marco Zero, no bairro do Recife, por volta das 8h30, na companhia do governador Eduardo Campos (PSB), do prefeito do Recife, João da Costa (PT), e do ministro da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, Altemir Gregolin. No fim da visita, em entrevista coletiva, ele disse que o projeto beijupirá é o primeiro que o país executa em 500 anos. "Ou seja, é uma nova forma de a gente permitir que o Brasil possa ter uma indústria pesqueira competitiva. Não é possível que um país do tamanho do Chile ou do tamanho do Peru pesquem muito mais do que nós e tenha muito mais exportação do que nós", destacou.
Um outro projeto está sendo formatado para beneficiar pescadores pernamubucanos. Ontem, o ministro Altemir Gregolin anunciou uma parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) que vai resultar na instalação de uma unidade demonstrativa de pequeno porte, para o cultivo de peixes. Segundo Felipe Matias, diretor deDesenvolvimento da Aquicultura do Ministério da Pesca, o empreendimento vai gerar 300 empregos diretos e três mil indiretos.
O programa vai atender inicialmente pescadores de colônias de pesca do Pina, no Recife, e Jaboatão dos Guararapes. A proposta, segundo Matias, é de ensinar o cultivo e familiarizar o pescador com a criação de peixes, sem que eles abandonem o ofício da pescar. "Nós estamos oferecendo mais uma alternativa para eles".
O governo federal já liberou R$ 1,5 milhão para a execução do projeto, que está em fase de implementação. A Universidade Rural, conforme prevê o convênio, dará o suporte técnico.
Críticas a empresários
Ao falar da crise financeira internacional, o presidente Lula (PT) não poupou críticas aos empresários ao dizer que houve "um exagero muito forte" de alguns setores da economia durante os meses de novembro e dezembro. "Acho que brecaram rápido demais. Na verdade, deveriam ter tido uma parada paulatina, com férias coletivas, com tentativa de fazer acordos com o movimento sindical", disse referindo-se às demissões que aconteceram no país depois do anúncio da crise.
Ele fez questão de lembrar, inclusive, que alguns setores da economia brasileira já começam a dar sinais de recuperação. "Mesmo o setor da agricultura, sobretudo o de commodities, melhorou. Tanto na produção quanto nos preços", destacou. O presidente disse, ainda, que mesmo a indústria automobilística, com a qual o governo federal tem uma preocupação especial porque representa 24,5% do PIB industrial, vai voltar a produzir, "porque o carro continua sendo uma paixão nacional", explicou.
Lula disse também que a obrigação do país agora é de olhar para Europa, para os Estados Unidos e pedir para que eles tomem iniciativas de acabar com a crise. "Não é voltar a crescer rapidamente, só parar a crise já nos ajuda bastante". O presidente afirmou estar confiante e anunciou que no dia 2 de abril irá a Londres para particpar do G-20, levando as experiências dos projetos (para combater a crise) realizados no Brasil. "Espero que eles façam o mesmo lá", ressaltou.
Na avaliação do presidente, a crise brasileira está "infinitamente" menor do que a crise nos Estados Unidos, na Europa e no Japão. "Estou convencido de que o Brasil sairá dessa crise muito mais fortalecido, muito mais robusto, muito mais competitivo. Tenho desafiado os empresários brasileiros, e tenho dito a eles: se a gente não parar de construir as coisas que estamos construindo, quando essa crise acabar e os Estados Unidos, a Europa, o Japão e a China começarem a comprar, nós sairemos na frente e daremos um salto muito grande no patamar de desenvolvimento do Brasil". (R.R.).
Pacote só depois do carnaval
O programa habitacional do governo federal para a construção de um milhão de casas populares para as famílias que ganham até dez salários mínimos deve ser lançado depois do carnaval. Foi o que prometeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a visita a uma fazenda de peixes no Recife, na manhã de ontem. "Agora é colocar o bloco na rua, depois do carnaval, certamente. Não vamos competir (com) o nosso bloco de construção, com os blocos de carnaval em Pernambuco, no Rio de Janeiro e em Salvador", afirmou o presidente.
Segundo Lula, o plano está passando pelos seus últimos ajustes antes de ser apresentado à população. Uma das negociações é em relação à ampliação do valor do saque do FGTS para ser empregado na compra da casa própria.
"Nós estamos elevando a possibilidade de saque do Fundo de Garantia, que hoje é de R$ 300 (mil), R$ 350 (mil), para R$ 500 mil para as pessoas poderem comprar suas casas, e eu espero que a gente tenha competência, que as empresas tenham competência, que os governos estadual, municipal e o governo federal tenham competência para construir 1 milhão de casas. Eu acho que o povo precisa, nós temos condições de fazer, temos o projeto, temos a engenharia financeira, temos o dinheiro", declarou .
Levantamento de terrenos - O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, disse que o estado está fazendo um levantamento dos terrenos que poderiam abrigar parte dessas casas. Atualmente, cerca de 380 mil famílias pernambucanas não têm onde morar ou vivem em residências precárias. "Estamos neste momento levantando terrenos disponíveis, fazendo contatos com prefeitos para ver terrenos públicos de prefeituras, estamos vendo os nossos, já estamos entrando em contato com as entidades empresariais ligadas à construção civil para que o pacote saindo a gente já esteja com um caminho andado e com as providências que nos cabem tomadas", explicou o governador.
Eduardo ressaltou que o executivo está aguardando a definição de critériosque deverão ser atendidos pelos estados para calcular quanto do déficit habitacional pernambucano poderá ser sanado com o programa do governo. "Haverá fechamento na próxima semana do programa e dos critérios de divisão do programa em função do déficit habitacional por cada estado. Haverá um critério sugerido a cada estado para distribuição dentro do estado. Ou seja, o mesmo critério que será utilizado para distribuição no país será obedecido na hora de distribuir dentro do estado", concluiu.