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Numa lancha da Marinha, o Presidente dá ração aos peixes de um tanque-rede Projeto Beijupirá

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Jornal do Commercio
Sérgio Montenegro Filho
14/02/2009

 

Lula dá carta branca a Dilma e ataca oposição

Presidente insiste que não faz campanha para a ministra, diz que oposição está sendo “pequena” e que Dilma continuará percorrendo o País


A investida dos partidos de oposição de recorrer à Justiça contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusando-o de fazer campanha fora de época, não ficou sem resposta. Ontem, durante seu último compromisso no Recife – uma visita à fazenda de criação de peixes da empresa Aqualíder – ele classificou a atitude como “absurda e pequena”. Os adversários o acusam de promover a pré-candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT) – sua preferida para a disputa presidencial de 2010 – durante eventos oficiais. Segundo Lula, por ser a responsável pela liberação de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em todo o País, Dilma tem a obrigação de viajar para fiscalizar as obras. Uma ação, segundo ele, de cunho estritamente oficial. “Seria um fato inusitado proibir os responsáveis pelas obras de fiscalizá-las”, acrescentou, demonstrando irritação.

Acusando os adversários de “pensarem pequeno”, o presidente partiu para o contra-ataque, afirmando que quem tem interesse de antecipar a campanha de 2010 é a oposição. “Os candidatos deles estão viajando (pelo País). Eles têm como única obrigação fazer campanha e encontrar um discurso, enquanto nós (o governo) temos como obrigação máxima cuidar do Brasil, do povo, e administrar, porque até 31 de dezembro de 2010 eu quero terminar as obras que nós iniciamos”, respondeu.

A oposição preparou duas frentes de ataque ao presidente. Na quinta-feira, o DEM protocolou uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo auditoria nos gastos do governo federal com a promoção do encontro nacional que reuniu cerca de 3.500 prefeitos no início da semana, em Brasília. No evento, tanto Lula como Dilma tiveram papel de destaque. Na próxima segunda-feira, o DEM e o PSDB, seu aliado, vão entrar com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo que investigue se estaria havendo “autopromoção e propaganda ilegal” por parte do Planalto em benefício da pré-candidatura de Dilma.

O presidente, no entanto, reafirmou que Dilma vai continuar viajando pelo País, exercendo sua função. “Ela é ministra até o momento em que se afastar do cargo, se for aprovada (em convenção) para ser candidata a algum cargo. Até lá, ela vai continuar exercendo seu papel, como exerce o ministro da Saúde, o ministro do Trabalho, o ministro da Pesca. Daqui a pouco, alguém vai querer proibir que o (Altemir) Gregolin venha comigo iniciar um projeto de pescado em Recife. Ou que eu venha com o governador Eduardo Campos ou o prefeito João da Costa visitar uma obra”, disparou.

Questionado se, embora ainda no cargo, a ministra estaria agindo como candidata, viajando sempre em sua companhia, Lula voltou a enfatizar que essa é uma atribuição inerente à coordenadora do PAC. “Dilma trabalha sábado e domingo, trabalha até as três da manhã, conversa com os governadores e prefeitos todos os dias, vai ao Tribunal de Contas. Ela trabalha como ninguém jamais trabalhou para que as coisas aconteçam, e tem que viajar para fiscalizar as obras”.

SEMELHANÇAS

O ex-prefeito do Recife João Paulo e seu sucessor, João da Costa, saíram na defesa do presidente. Segundo João Paulo, Lula é vítima da “mesma estratégia” que ele sofreu antes da campanha municipal do ano passado, quando foi acusado pela oposição de usar a máquina administrativa da Prefeitura para beneficiar João da Costa, embora ele ainda fosse secretário, e não candidato. “Com essa estratégia, a oposição vai dar um tiro no pé e revela um grau de desespero acelerado. Quanto mais eles falarem nisso, mais se prejudicam”, disse João Paulo. João da Costa emendou: “A oposição apostava que a crise inviabilizaria o governo Lula, mas as medidas adotadas evitaram. Então, arranjaram uma tentativa escapista de ocupar espaços, porque não tem propostas”.

Presidente critica os empresários. Armando rebate

Lula considera “exagerado” comportamento dos empresários diante da crise, com demissões em massa. “Ganharam muito dinheiro em 2008”, diz

O comportamento dos empresários brasileiros diante dos efeitos da crise financeira internacional foi “exagerado”, na opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ontem, no Recife, ele fez duras críticas ao setor, afirmando que num momento em que todas as empresas nacionais “estão muito capitalizadas”, os empresários teriam exagerado nas demissões de trabalhadores. Segundo ele, “todos (os empresários) ganharam muito dinheiro em 2008”, e não era necessário dispensar tantos funcionários logo no primeiro mês após a quebra de bancos americanos, porque, na sua opinião, o Brasil não estava nas mesmas condições negativas que os países afetados diretamente pela crise.

Não achei justo. Acho que era muito melhor ter proposto uma mesa de negociação. Ela pode acontecer, eu sei do interesse do movimento sindical. Mas as pessoas precisam aprender que em um momento de grande produção, se ganha muito dinheiro, e em um momento de crise, se ajuda os que precisam”, advertiu. Segundo Lula, houve um “exagero muito forte” de alguns setores da economia nos meses de novembro e dezembro. “Eles brecaram rápido demais quando, na verdade, deveriam ter dado uma paralisada mais paulatina, com férias coletivas e tentativas de acordo com o movimento sindical”, comentou. E garantiu que há sinais de que vários setores já estão se recuperando.

» CRISE ECONÔMICA

Presidente critica os empresários. Armando rebate

Lula considera “exagerado” comportamento dos empresários diante da crise, com demissões em massa. “Ganharam muito dinheiro em 2008”, diz


O comportamento dos empresários brasileiros diante dos efeitos da crise financeira internacional foi “exagerado”, na opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ontem, no Recife, ele fez duras críticas ao setor, afirmando que num momento em que todas as empresas nacionais “estão muito capitalizadas”, os empresários teriam exagerado nas demissões de trabalhadores. Segundo ele, “todos (os empresários) ganharam muito dinheiro em 2008”, e não era necessário dispensar tantos funcionários logo no primeiro mês após a quebra de bancos americanos, porque, na sua opinião, o Brasil não estava nas mesmas condições negativas que os países afetados diretamente pela crise.


Não achei justo. Acho que era muito melhor ter proposto uma mesa de negociação. Ela pode acontecer, eu sei do interesse do movimento sindical. Mas as pessoas precisam aprender que em um momento de grande produção, se ganha muito dinheiro, e em um momento de crise, se ajuda os que precisam”, advertiu. Segundo Lula, houve um “exagero muito forte” de alguns setores da economia nos meses de novembro e dezembro. “Eles brecaram rápido demais quando, na verdade, deveriam ter dado uma paralisada mais paulatina, com férias coletivas e tentativas de acordo com o movimento sindical”, comentou. E garantiu que há sinais de que vários setores já estão se recuperando.


O presidente disse ter telefonado para alguns empresários – citou como exemplo o presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli – para dizer que considerou “um absurdo” as demissões de 1.300 funcionários e a colocação de outros 5.500 em férias coletivas. “A Vale do Rio Doce tem muito dinheiro em caixa, ganhou muito dinheiro. Ora, é exatamente nesses momentos de dificuldade que os empresários precisam cumprir a sua parte. Não é só o governo ou os trabalhadores, mas todo mundo. É uma crise do sistema financeiro mundial, e nós não temos controle sobre ela”, disparou. “Nós vamos tomar as medidas na hora em que forem necessárias. Mas não é o momento de ninguém se precipitar, nem de parar os seus investimentos”, reforçou.

Após a entrevista, Lula conversou com o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado federal Armando Monteiro Neto (PTB-PE), presente ao evento. Representante do empresariado nacional, ele disse que o presidente está otimista com relação às medidas de combate à crise, principalmente o projeto habitacional anunciado por ele, que prevê a construção de um milhão de casas populares até o final de 2010.

No entanto, embora aliado do governo, Monteiro Neto respondeu em tom duro as críticas de Lula ao empresariado, classificando como “perigosas” as generalizações. “Não se segura empregos apenas com discursos e com a vontade de fazê-lo. O que mantém os empregos, no mundo inteiro, é a demanda. Se o empresário for generoso demais, coloca a sua empresa em risco, e matar a empresa é matar os empregos”, disse aos jornalistas. Segundo ele, o crédito está curto e caro por conta da crise. “O que os empresários podem fazer? Todos estão se segurando para ver como fica o nível das vendas”. (S.M.F.)




Eduardo vai ter mais quatro anos de governo”

Publicado em 14.02.2009


Presidente afirma que há obras iniciadas pelo governador que precisam de mais tempo para serem concluídas, por isso defende a reeleição


Durante a entrevista coletiva concedida ontem, no Recife, após a visita à Fazenda Beijupirá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou elogios ao governador Eduardo Campos (PSB) – seu ex-ministro e aliado de primeira hora – e defendeu sua reeleição em 2010. “Os adversários de Eduardo têm que se preparar, porque ele vai ter mais quatro anos no governo”, exaltou Lula, explicando que há obras iniciadas pelo governador que precisam de mais tempo para serem concluídas.


Tudo o que nós estamos fazendo pelo Brasil afora vai começar a ganhar impulso, mesmo, a partir de agora. E Eduardo não vai conseguir realizar uma obra de transformação em Pernambuco em apenas quatro anos. Por isso, eu acho que ele vai ter muito tempo aqui”, disse.


Lula, porém, deixou uma porta aberta a outras alternativas, lembrando que o governador é presidente nacional do PSB, e o considera um quadro político de alta qualidade. “Eduardo pode dar o salto que quiser dar, e nós somos tão parceiros que todos os saltos nós daremos juntos”, afirmou, tendo ao lado o governador, que o acompanhou durante a entrevista.


O presidente não revelou, porém, que função pretende delegar a outro aliado, o ex-prefeito João Paulo (PT) a partir de agora. O petista – que já chegou a ser cotado para assumir um ministério ou um cargo no segundo escalão do governo – permanece sem uma definição sobre seu futuro político. Lula, porém, preferiu brincar com o assunto: “João Paulo vai continuar sendo meu companheiro, com muito mais tempo para disponibilizar para mim. Vai até me ensinar a levitar. Eu vou ficar muito mais leve. Ele quer ir até o Alvorada também me ensinar a nadar. Quem sabe eu aprendo a nadar”, desconversou.


O presidente, no entanto, assumiu um tom sério ao afirmar que pretende aproveitar as experiências bem-sucedidas de alguns ex-prefeitos, sobretudo nesse momento de crise financeira. “Nós temos 60% dos prefeitos eleitos no Brasil exercendo o primeiro mandato. É importante aproveitar as experiências dos antecessores para garantir que os novos prefeitos não tenham que passar pelos mesmos problemas que eles passaram quando ganharam as eleições no primeiro mandato. É uma troca de experiências para que as prefeituras do Brasil possam produzir muito mais e atender melhor aos interesses do povo”, disse.(S.M.F.)



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